Publicado por: teoriadasmidias2 em: 6 06UTC Maio 06UTC 2009
Por: Maisa Zickuhr
O que fizemos com nossas 24 horas? Sou só eu ou você também tem a sensação de que andam encurtando nosso tempo? Não é possível! 24 horas é muita coisa!
“Por que não conseguimos fazer tudo o que precisamos nesse tempo?”
Pode parecer incrível e chocante o que vou dizer, mas… nós conseguimos.
Se você parar pra pensar, vai perceber que nós fazemos tudo o que realmente precisamos, só que não nos damos por satisfeitos e assumimos responsabilidades impossíveis de cumprir nem que o dia tivesse 50 horas.
O fato é que acumulamos cada vez mais coisas para fazer, nos enganando de que elas realmente são necessárias. No fim, prevalecem as prioridades: quando as pessoas têm um prazo, elas (em geral!) o cumprem, nem que seja para empurrar uma outra coisa com a barriga.
E esse “empurra-empurra” acaba refletindo nas demais horas do dia. Já reparou como não existe mais “horário comercial”? Preenchemos o máximo de horas possíveis do nosso dia com as atividades que deixamos de cumprir, sem reservar qualquer tempo livre para poder fazer… absolutamente nada.

Isso não é só comigo, só com você. Essa aceleração temporal passou a ser uma característica da sociedade. E como as produções midiáticas refletem o comportamento social (além de serem realizadas por indivíduos que estão inseridos nessa sociedade), é natural, portanto, que elas estejam cada vez mais aceleradas.
Antigamente, eram os jornais diários os principais responsáveis pela divulgação de notícias. Se os repórteres de um jornal que fechava sua edição às 00h30 soubessem de um fato importante ocorrido às 1h00, só poderiam noticiar este fato na edição do dia seguinte. Mas hoje em dia, com o advento da internet, as notícias são atualizadas a cada segundo, conforme o desenvolvimento dos acontecimentos. Tudo é feito de forma instantânea e… apressada.
A utilização dessa ferramenta nem sempre traz um resultado positivo: com a possibilidade de modificar as publicações depois de postadas e diante da pressão de entregar a matéria dentro do prazo, os jornalistas de mídias virtuais muitas vezes produzem notícias superficiais ou incompletas.
A apuração é feita de forma precipitada, e o jornalista acaba, em alguns momentos, publicando um não acontecimento. Ou seja: noticia algo que ainda não ocorreu, antes de ter tempo de checar a informação a fundo.
A incidência dessas notícias ocorre, pelo menos, anualmente:
Quando se encerra a temporada de futebol, os jornais não têm mais resultados de rodadas para noticiar. Por isso, começam a publicar “especulações”: é aquele time X que está em negociações com o jogador tal, é aquele outro jogador que provavelmente assinará contrato com o clube Y.
Ora, quer exemplo maior de desperdício de um tempo que já anda curto?
Para mim, alguém não pode ser gabar por estar bem informado ao possuir o conhecimento de algo que ainda não aconteceu. Que tipo de informação é essa?
Acredito que é uma informação falsificada que não deixa de ser um reflexo da nossa sociedade acelerada, sem ter tempo ou paciência para esperar a próxima temporada de futebol.
E você, concorda ou não comigo? Deixe um comentário (e não me venha falar que está com falta de tempo para responder. Eu já sei disso! Mas que tal colocar essa atividade entre uma de suas prioridades? Você já chegou até aqui mesmo…).
Publicado por: teoriadasmidias2 em: 30 30UTC Abril 30UTC 2009
Por: Talita Caetano
Recorreremos novamente ao telejornal vespertino da Rede Globo, Jornal Hoje, para explicitar mais uma forma de os meios de comunicação, mais especificamente a televisão, adequarem-se ao tempo que, como sabemos, é curto.
O Jornal Hoje, ancorado por Evaristo Costa e Sandra Annemberg, apresenta em sua programação um quadro que aborda as principais ocorrências diárias do mundo inteiro em um curto período de tempo, denominado “O mundo em um minuto”. Geralmente ele é transmitido em dois ou três dias durante a semana e faz menção de pelo menos três mini-notícias de nações distintas em cada veiculação, com duração máxima de um minuto.
Na verdade, ante aos diversos acontecimentos de todo o globo, o telejornal faz uma seleção daqueles que mais impactam e representam no contexto mundial. Para tal, faz-se o uso do lead como forma de introduzir o assunto de maneira “pincelada” e sintética, acreditando ser suficiente para que os telespectadores a entendam, pelo menos superficialmente.
O vídeo que se segue foi apresentado no dia 24 de abril deste ano. Ele traz informações do ataque ocorrido em um santuário xiita iraquiano, mas demonstra pontualmente o número de vítimas encontradas, não fazendo referência às possíveis causas do ataque.
Num segundo momento, trata-se do leilão das obras desenvolvidas por Adolf Hitler, mas não explana que tipo de pinturas o líder nazista praticava, além de a narração se ater essencialmente ao valor que as obras foram vendidas.
O último assunto tratado é o caso do acréscimo do desemprego na Espanha, que atingiu índices recordes se comparado aos outros países que tomaram o euro como moeda. Mais uma vez, o telejornal priorizou aspectos quantitativos ao relatar o fato.
Essa diminuição de conteúdo não é de uso exclusivo do Jornal Hoje. Geralmente as demais programações também adotam essa medida, como forma de lidar com a grade fixada do veículo ao qual pertencem, questão esta anteriormente discutida.
Diante dessa sede do público em geral de acumular uma grande quantidade de informações em detrimento do aprofundamento delas, fica a pergunta: Será que essas veiculações rápidas e resumidas são suficientes para a compreensão dos acontecimentos do dia a dia?Ou será que elas representam um caminho para que os espectadores procurem informações complementares por si sós?
Link:
Publicado por: teoriadasmidias2 em: 28 28UTC Abril 28UTC 2009
Existem inúmeras diferenças entre a Televisão e a Internet. Desde a programação, a linguagem, o espaço físico, as estratégias de persuasão, até a possibilidade de interação. Contudo, o tempo despendido com essa mídia é uma das diferenças que merece destaque. Seja para aquele que navega, seja àqueles que fazem essa mídia acontecer.
Tendo-se possibilidades de acesso à rede, tempo hábil e vontade de interagir, muito provavelmente o espectador se transformará em internauta, já que em rede, o caminho quem faz é você. É você quem escolhe onde, como e por que clicar em uma janela, o que ler ou o que ouvir, até onde ler, ou ainda como ler, ouvir, clicar, jogar e escrever tudo ao mesmo tempo.
Agora, exposto o lado dos consumidores do que é veiculado da TV ou na Internet, ainda tem-se o lado daqueles que fazem tudo acontecer, os que veiculam a produção.
Não posso deixar de abordar a característica quem vem sendo tão usada nos posts anteriores: a falta de tempo. A falta de tempo do espectador, a falta de tempo do jornalista etc.
E essa característica tão presente na mídia e na vida moderna, talvez, seja também o principal fator que faz com que a televisão, tenha “continuado” sua programação na Internet.
Assumindo cada dia mais a falta de tempo em noticiar tudo o que foi planejado, pautado, os programas acabam por mostrar o básico, o início ou o superficial sobre o assunto – tantas vezes relevantes. E para completar a matéria, e de quebra manter o nível de audiência, utilizam-se cada vez mais de outros meios de veiculação. Unindo-se ao fenômeno dos anos 90: a Internet.
Usando como exemplo o Jornal Hoje, da Rede Globo, podemos visualizar bem esse fenômeno de união das mídias em prol de matérias mais completas.
Tendo como característica a apresentação de noticias em sua maioria leves e pautas de interesses múltiplos, o Jornal Hoje, as utiliza para apresentar, na internet, noticias ou fatos dos mais diversos.
O fato levado à internet, do programa de hoje, é uma receita. Porém torna-se relevante pois, é um programa que antecede a Páscoa, tendo uma receita diferenciada de ovo de páscoa.
Nesse caso ele instiga o espectador a buscar a receita completa no site, mostrando no programa, apenas por cima, a confecção do ovo.
Pois bem, essa matéria sai dos 20 ou 30 minutinhos da TV e vai para o tempo infinito da internet. Podendo ser acessado quantas vezes quiser, a hora que quiser, com tantas outras coisas em acesso também, enfim, abre-se infinitas portas para quem decide acompanhar, online, o restante da matéria.
Agora solto a discussão:
Usamos a falta de tempo para justificar grande parte daquilo que deixamos para trás por algum motivo, que as vezes nem é de fato a falta de tempo. Porém, quando você acessa a internet você lembra que tem pouco tempo ou cai nas garras do tempo infinito e subjetivo que essa ferramenta oferece?
E mais. Você acha que a TV se utiliza da Internet para realizar matérias mais completas ou simplesmente para ter mais uma fonte de audiência?
Publicado por: teoriadasmidias2 em: 24 24UTC Abril 24UTC 2009
Abordar o desenrolar dos principais fatos que aconteceram no mundo em um dia inteiro, já não é simples. Fazer isso em apenas poucos minutos, é pior ainda.
O tempo relacionado ao âmbito do jornalismo televisivo é um aspecto extremamente considerável, uma vez que a maior ou menor explanação dos acontecimentos dependem desse fator primordial.
Os famosos programas de edição se encarregam de cortar e fazer verdadeiros milagres para facilitar a determinação do melhor foco, bem como dos componentes – áudio, imagem e conteúdo- mais relevantes para a composição da matéria.
Uma reportagem bruta, que demandaria horas para ser exibida por meio específico, pode-se tornar uma pequena notinha quando as mídias apelam e fazem uso desses acessórios.
Tal fato acontece constantemente nas grandes e pequenas redações de todo o mundo. Esse árduo trabalho tem que ser realizado no sentido de atender às exigências que o fator “tempo” impõe a todos.
Mas como lidar com esse aspecto quando as entrevistas são feitas ao vivo, em tempo real para determinada mídia? O que se deve fazer quando o entrevistado extrapola o tempo permitido pela demanda da pauta jornalística?
Sem os “miraculosos” recursos midiáticos de interferência e montagem da matéria, os riscos de alguma falha mecânica ou conteúdo inconveniente ser repassado ao público, é muito maior:
Vê-se, muitas vezes, o entrevistado ter suas falas “cortadas” pelo repórter com quem está falando, pelo câmera ou pelo próprio sistema que volta a focalizar o âncora do jornal o qual a reportagem está sendo exibida.
Nota-se essas ações convergindo com a luta contra o tempo na mídia no seguinte vídeo,exibido no dia 15/04, no Jornal Nacional. Ele que mostra Willian Bonner e Fátima Bernardes entrevistando o presidente da Supervia, Amin Murad, a respeito das agressões dos funcionários para com os usuários do trem.
Percebe-se que ambos sobrepõem suas vozes, não deixando o entrevistado expor seus argumentos claramente, pelo fato de terem que fazer o maior número de questionamentos possíveis, em um determinado espaço de tempo.
Publicado por: teoriadasmidias2 em: 23 23UTC Abril 23UTC 2009
Os dias ainda têm o mesmo número de horas, minutos e segundos desde que o mundo é mundo. Então, por que a todo o momento as pessoas se queixam por não conseguirem fazer tudo que haviam planejado para aquele dia? A resposta é sempre a mesma: Falta de tempo.
Essa desculpa invadiu o mundo das pessoas, como um vírus que hoje pode ser evidenciado nos meios de comunicação e principalmente no mau jornalismo apresentado pelas mídias. Matérias são cada vez menos apuradas e checadas. Se ocorrer um erro, a culpa é do tempo, ou melhor, da falta dele.
A televisão é um dos meios de comunicação que atinge a maioria do mundo. Os canais abertos oferecem programação 24h por dia, informação e entretenimento, é maioria nesse meio.
As programações, tem horário certo para começar e acabar um minuto que se extrapola em um programa, prejudica a grade horária inteira da emissora. Os programas denominados ao vivo, são preocupantes quando o assunto é tempo, já que imprevisto podem ocorrer.
Nos telejornais já é rotineiro, esperar que o jornalista diga que uma matéria só será exibida no outro dia já que não há mais tempo para que ela se encaixe. A rede Globo, recentemente, teve sua grade “prejudicada” ao transmitir uma partida de vôlei. A partida que levou duas horas e meia para terminar, fez com que os programas globais diminuíssem seu tempo drasticamente o que certamente fez com que eles perdessem um pouco de qualidade.
O SPTV 1ª edição é um programa exibido de segunda a sábado que tem uma duração em torno de 40 minutos, entretanto no dia do “problema” teve cerca de 6 minutos. A apresentadora, logo no inicio do telejornal explicou o motivo do atraso para entrar no ar e que a duração naquele dia seria menor do que de costume.
Outra evidência, no aperto que ficou nas programações globais, foi Globo Esporte que geralmente tem 24 minutos para falar do mundo do esporte, neste dia o apresentador Tiago Laifert teve os mesmo 6 minutos da apresentadora Carla Vilhena.
As emissoras, hoje, parecem não terem mais medo de assumirem que tem um tempo muito corrido e que tem eventuais problemas em administrar às 24 horas aos tantos acontecimentos que ocorrem durante o dia em sua cidade, país ou mundo. A grande questão, não é o pouco tempo que esses telejornais tiveram para adaptar suas noticias, mas sim, na perda, ou não, de qualidade na hora de transmitir a informação.
Publicado por: teoriadasmidias2 em: 16 16UTC Abril 16UTC 2009

Por: Flávia Prado
Em seu livro “A Era do vazio”, o filósofo francês Gilles Lipovétsky trata do esvaziamento da sociedade moderna: o enfraquecimento de seus laços, vínculos e relações. Segundo o autor, o ser humano vive um sentimento de individualidade e indiferença, fortalecido pelo sistema de consumo, característico do modelo econômico capitalista. Dessa forma, participamos de um processo de reclusão do ser humano, no qual ele se afasta dos outros, alimentando um sentimento narcisista.
O processo de globalização encurtou distâncias, aproximando geograficamente as pessoas. Entretanto, minimizou os contatos físicos e diminuiu a proximidade sentimental. Ao invés de irmos até a casa de nossos parentes, mandamos um e-mail. Ao invés de darmos um telefonema para desejar felicidades no aniversário de algum amigo, deixamos um recado no Orkut. Enfim, evitamos, mesmo que involuntariamente, manter contato físico com as pessoas. Mas, qual é a justificativa pra tudo isso? Falta de tempo.
Acordamos atrasados, vestimos qualquer roupa e desesperadamente saímos rumo ao trabalho. No meio do dia, almoçamos qualquer coisa, falamos com dezenas de pessoas ao telefone e na hora de ir embora saímos correndo. Chegamos em casa, jantamos um “lanchinho” por não aguentar mais de sono. Tomamos um banho para “relaxar”, fazemos “aquilo que ficou faltando” e deitamos em nossas camas para dormir, quando, depois de poucas horas, o despertador toca, anunciando mais um ciclo.
Esse imediatismo que se instaurou em nosso cotidiano e até em nosso relógio biológico é um dos reflexos de uma sociedade de consumo, que prima pelo instantâneo. Somos bombardeados com informações em todos os momentos; nossas rotinas estão cada vez mais cheias de compromissos; o mercado de trabalho exige, cada dia mais, uma maior especialização. Enfim, corremos para fazer tudo e o tempo parece correr contra a gente.
O jornalismo é um dos lugares onde essa aceleração acontece. Nos programas de televisão, assistimos a uma verdadeira corrida contra o tempo, tão precioso ao jornalismo.
Aprendemos a “contar histórias”, tornando-as acessíveis e compreensíveis a população, daí o lead e todas as técnicas de simplificação textuais. Aliás, nas escolas de comunicação, já aprendemos a redigir o lead pensando “em uma pessoa que não tem tempo para ler o jornal inteiro e precisa ao menos entender a essência da matéria, os acontecimentos do dia”. Ou você nunca ouviu isso de nenhum professor de jornalismo?
Pois bem, em uma sociedade na qual notícias são produtos comercializáveis, essa simplificação e agilidade na redação se dá pela facilidade de compreensão ou pelo interesse na quantidade de publicações?
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